O segredo da mulher que tem só aquilo é difícil de se contar
A mulher que faz só aquilo, faz também para agradar
Ninguêm sabe seu nome, nem liga para seu gosto
A mulher que tem só aquilo morre de tudo, menos desgosto
A mulher que tem só aquilo não é mais menina
Freira, negra ou concubina
Adoça o peito e deixa gozar
O podre, o leite e o paladar.
Mulher arrancada, dilacerada de descarinho
Torço, prego, finjo e definho
Em gosto doce de sangue a tilintar
O comodista que julga acendrar:
A mulher
O segredo
A lama
O medo.
Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
A Outra Mulher.

Em sua cabeça há zumbis alados
Dois monstros de sete cabeças
E uma cabeça de ouro
Argentíssima
Mulher prateada
Mulher de dois sóis
Um menino de cabeça raspada
Desamarrem os sinos de todas as catedrais
Movam as montanhas em círculos
Ressuscitem sua Majestade
Pois ela está chegando: a outra mulher
Não a mesma, não a de sempre
Ela não está marcada por funerais da alma
Ela não está marcada por doenças do coração
Ela é apenas outra mulher
Pronta para vencer.
Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Sobre a fala muda de meus olhos e o cheiro doce da tua pele.
Duas consciências retardadas no tempo
Nuas como flores decapitadas e decrépitas.
Minha languidez aperta o pêssego da tua pele
E você não reconhece,
Esconde as cerejas nos bolsos
E parte escondendo pêlos, lábios e peitos.
Não busco a tua inteira compreensão de quem sou,
Não quero a grandeza do que você é.
Contento-me com o prelúdio de qualquer coisa
Que eu invente, que seja real ou fantasia.
Recuso o escuro onde palavras são ditas,
tremelicando meu ventre e aguçando meu plexo solar.
Recuso teus mistérios e medos.
Repuxo-me inteira de desperdiçar-te assim.
Puro óleo negro escorre de meus pulsos cerrados e duros.
Tu és minha orgia de cores.
Mas nunca capturarei aquele ponto escravo e neutro do que você é.
Nunca poderei reconhecer se me queres por trás dos olhos.
Te cobiçando inteiro, terei o vazio absoluto.
Você é carne de gente escorrendo entre sangue humano,
Penetrando em todas as carnes medonhas, sublimes e colossais.
Desejando incompletamente, suplicando parcialmente
Apenas pelo roçar de teus lábios,
Por olhares desatentos,
Pela chave de coxas cruzadas,
Por teu suor de madrugada,
Pelo gosto salgado de teus pêlos,
Por tua convulsão entre meus joelhos,
Minha ebulição na tua boca
E meus dentes monstruosos de volúpia.
Serei escrava de pouco
E guardarei a esperança
De nunca saber-te inteiro.
Confessar-te no meu colo
E abrir a boca com línguas
Para marcar tua chegada.
Você: fragmentado em mim.
Nuas como flores decapitadas e decrépitas.
Minha languidez aperta o pêssego da tua pele
E você não reconhece,
Esconde as cerejas nos bolsos
E parte escondendo pêlos, lábios e peitos.
Não busco a tua inteira compreensão de quem sou,
Não quero a grandeza do que você é.
Contento-me com o prelúdio de qualquer coisa
Que eu invente, que seja real ou fantasia.
Recuso o escuro onde palavras são ditas,
tremelicando meu ventre e aguçando meu plexo solar.
Recuso teus mistérios e medos.
Repuxo-me inteira de desperdiçar-te assim.
Puro óleo negro escorre de meus pulsos cerrados e duros.
Tu és minha orgia de cores.
Mas nunca capturarei aquele ponto escravo e neutro do que você é.
Nunca poderei reconhecer se me queres por trás dos olhos.
Te cobiçando inteiro, terei o vazio absoluto.
Você é carne de gente escorrendo entre sangue humano,
Penetrando em todas as carnes medonhas, sublimes e colossais.
Desejando incompletamente, suplicando parcialmente
Apenas pelo roçar de teus lábios,
Por olhares desatentos,
Pela chave de coxas cruzadas,
Por teu suor de madrugada,
Pelo gosto salgado de teus pêlos,
Por tua convulsão entre meus joelhos,
Minha ebulição na tua boca
E meus dentes monstruosos de volúpia.
Serei escrava de pouco
E guardarei a esperança
De nunca saber-te inteiro.
Confessar-te no meu colo
E abrir a boca com línguas
Para marcar tua chegada.
Você: fragmentado em mim.
Sábado, 29 de Novembro de 2008
A janela do meu quarto é uma janela para o mundo. E não importa quantos livros li ou irei ler. A janela sempre estará ali, parada. Pronta para que qualquer analfabeto de alma ou de cabeça cheia penetre. A janela da indecisão do amanhã. A janela que diz que existe amanhã, que diz para planejar o amanhã e esquecer-se de si. E esquecer-se de si significa deixar de existir. Deixar de existir é esquecer-se agora e parar no tempo, cobrando e materializando esperanças do próprio peito. Mas quero morrer cheia de desilusão. Desilusão dos meus sonhos, de minha carne, de meu pensamento, de minha alma. Apodreça o amanhã pois ele me mata. Ele coça como formiga mordendo e assim minha cosnciência ressucita e me agita para dizer que o amanhã existe. Este amanhã matou meu dia, matou meu hoje. Este amanhã matou-me.
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
O Horror.
Gritaram meu nome na rua alto demais e tampei meus ouvidos. Mas não era meu nome, era apenas aquela palavra designativa que referia-se a mim. Tive medo. Não gostei do nome que me deram. Achei injusto. Uma dor iniciando nas pontas do pés começou a corroer-me toda e vesti a carapuça do nome. Achei injusto novamente. Compararam-me com outras pessoas, gente vulgar. Poucas eram minhas amigas e compararam-me com elas. Disseram que eu era ruim, que eu estava mal. Senti o gosto podre do nome grudando no céu de minha boca. Ri da minha própria dor por deixar doer o fel de tanta gente vulgar em mim. Não podia! Eu sou forte! Mas me deram um nome duro. E quando alguêm dá a ti um nome, este alguêm pinta sua cara com cores próprias, duras e sem permissão. Meu tórax fechado e comprimido dentro de mim, e dentro daquele nome. Coisa mais horrível quando te dão um nome. O meu era feio, horroroso, medonho! Tive medo de novo. Esse nome ficou martelando dentro de mim como se já fosse meu há anos, como se estivesse para nascer dentro de mim mas que fora abortado por gente de quinta categoria; alimentado, criado e continuasse vivo; mas não me pertencesse, apenas me taxasse.
Esse nome perturbava minhas noites, arrancava minhas felicidades, porque ele estava ali. Maldito, maledicente, encarnado. Ali! Eu era o nome, o nome grudava em mim e me caia bem mas eu não poderia aceitar ser escrava de um nome sujo dado por gente vulgarissíma. O nome nasceu da merda e na merda se criou. Meu nome, meu! A bile começou a corroer meu fígado pois em mim foram nascendo buracos, vazios não preenchidos e desgastados. Partes de mim foram caindo e despedaçando-se como lepra, porque eu não era eu, eu era o nome. E eu não quero esse nome, não fui eu que escolhi! Minha cara não é medonha, meu corpo não é terreiro de maldições. Esse nome não é meu e não aceito esse nome. Sou forte!
Esse nome perturbava minhas noites, arrancava minhas felicidades, porque ele estava ali. Maldito, maledicente, encarnado. Ali! Eu era o nome, o nome grudava em mim e me caia bem mas eu não poderia aceitar ser escrava de um nome sujo dado por gente vulgarissíma. O nome nasceu da merda e na merda se criou. Meu nome, meu! A bile começou a corroer meu fígado pois em mim foram nascendo buracos, vazios não preenchidos e desgastados. Partes de mim foram caindo e despedaçando-se como lepra, porque eu não era eu, eu era o nome. E eu não quero esse nome, não fui eu que escolhi! Minha cara não é medonha, meu corpo não é terreiro de maldições. Esse nome não é meu e não aceito esse nome. Sou forte!
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